segunda-feira, 22 de agosto de 2016

A construção do ódio à política

No olho da tormenta, nem sempre conseguimos avaliar a extensão dos danos nas embarcações. Passado a votação vexaminosa da Câmara Federal aprovando o afastamento de Dilma Roussef pelas denominadas "Pedaladas Fiscais" o que restou foi um cenário de desolação com o esquecimento da política como instrumento de mudanças da sociedade.

Ao criminalizar a política, a velha imprensa contou com a valiosa colaboração de setores do Ministério Público, Polícia Federal e de juízes e promotores sedentos de refletores e partidários da concepção políticque idolatra o mercado e abomina o Estado. A construção do ódio à política serve aos interesses de uma elite que deseja  manter as estruturas que lhe asseguram privilégio e poder.

Nos últimos anos, desqualificar a política e os políticos tem sido uma constante na chamada grande imprensa. Acompanhado da disseminação de um pessimismo militante e um sentimento de inferioridade que atribui ao Brasil e aos brasileiros uma irresistível vocação para o fracasso.

Tal campanha sofreu um duro baque quando se organiza uma Copa do Mundo bem sucedida e uma olimpíada elogiada por atletas, turistas e os meios de comunicação de todo o mundo.

Ninguém vai esquecer  a cerimônia de encerramento das Olimpíadas e a cena apoteótica da imprensa internacional caindo no samba. As façanhas esportivas, a melhor posição do Brasil no ranking de medalhas e o saldo organizativo do evento, deixam os adeptos da  síndrome de vira-latas sem argumentos.

Sempre haverá, é claro, os que se deixam levar pela ladaínha da velha imprensa. A Folha de São Paulo já deu o mote: o mas, contudo, porém, todavia estão lá para não perder o vício de relativizar qualquer conquista brasileira. O texto de Juca Ferreira publicado nas redes sociais, no entanto, oferece o tom necessário para argumentar com os pessimistas de plantão.

Quem apostou no fracasso dançou.
Juca Ferreira
Foi assim nas Olimpíadas e será sempre assim daqui para a frente. O esporte preferido das elites brasileiras, o desmerecimento nacional, perdeu.
Perdeu como tem perdido todas para o Brasil dos Silva. Só leva se for na base do golpe, desrespeitando as regras.
As Olimpíadas deram certo e este sucesso está sendo celebrado esta noite numa cerimônia cheia de beleza, consciência e significados. A chuva e a alegria lavando a alma da gente. O Brasil dos Silva deu certo. Sim! Estas Olimpíadas nasceram pelas mãos de Lula, se viabilizaram com Dilma, foram realizadas e vencidas por atletas dos quatro cantos do Brasil, gente simples, a maioria beneficiários de programas de incentivo criados nos últimos 13 anos. A velha elite olha de lado, finge que não vê, mas é impossível negar.
O Brasil diverso, feito de contradições, cheio de mazelas e ao mesmo tempo altivo, competente, de bem com a vida se mostrou pro mundo e se olhou de frente. O mundo gostou do que viu. E o Brasil gostou de se ver.
Se viu potente na pele de Lulas, Isaquias, Rafaelas e outros silvas. Bateu no peito: periferia! Cerrou os punhos e ostentou: negro, índio, mulher, gay, pobre, nordestino. Diversidade nos define. Somos donos do nosso destino. Sabemos que podemos e esta liberdade ninguém nos tira mais.
Olimpicamente, ‪#‎ForaTemer‬


sábado, 20 de agosto de 2016

A quem interessa a criminalização da política?

Quem está nas ruas neste início do período eleitoral constata: parte da população, insatisfeita com as denúncias de corrupção, repudia não apenas os políticos, mas a própria política. Por incrível que pareça, muitos políticos aproveitam esta rejeição generalizada para construir seus projetos de poder.

É um direito do eleitor manifestar sua indignação e descontentamento com  quem se desvia da ética e pratica mal feitos, contudo, a generalização que toma conta de certos setores da sociedade produz mais danos do que soluções.

Alguém já definiu a política como a atividade que serve para encaminhar interesses para obter soluções, os segmentos economicamente mais privilegiados da população sabem disso e não deixam de se beneficiar com políticas de distribuição dos bens públicos via, por exemplo, os aumentos escorchantes das taxas de juros. Desta forma, se apropriam do Estado, privatizando os bens públicos para o seu próprio benefício.

O incrível nesta história, é como parcelas consideráveis da classe média caem nesta armadilha, compram as versões que interessam aos beneficiários das autênticas "bolsas juros". A partir dos instrumentos de dominação midiática, impõe o enquadramento mais conveniente para construir ou destruir reputações. Assim, promovem movimentos de combate à corrupção, elegem seus heróis de toga e  incentivam o uso do verde e amarelo para, habilmente, proteger dos olhos do público, os que lucram com a corrução e com a entrega da riqueza nacional para as potências financeiras internacionais.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

A verdade sem mediação

Houve um tempo em que o ônus da prova deveria ser apresentado pelo acusador, a presunção de que todos são inocentes até que se prove o contrário, no entanto, foi enterrada quando a ministra Rosa Weber, assessorada pelo juiz Sergio Moro, condenou o ex-ministro José Dirceu,  com o argumento do domínio do fato, na oportunidade ela afirmou "“Não tenho prova cabal contra Dirceu – mas vou condená-lo porque a literatura jurídica me permite”.

De lá para cá, respaldada por um judiciário que se acautela diante do poder midiático, a imprensa conservadora não poupa espaço para disseminar matérias, onde a ausência do contraponto e a checagem das informações é a principal característica.

Diante das distorções e da falta de




Em relação às reportagens sobre um laudo elaborado pela Polícia Federal sobre o sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP), com referências ao ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os seus advogados esclarecem que:

1. A realidade incontestável é que Lula não detém a propriedade do sítio em questão. Ignoram-se provas existentes nos autos que demostram ter sido a compra da propriedade feita por Fernando Bittar com recursos doados por seu pai, Jacó Bittar. Se a propriedade é de um terceiro, nada do que se disser muda essa situação. Lança-se mão, assim, mais uma vez, de subterfúgios de diferentes naturezas e formas com a finalidade de, misturando fatos que não de comunicam, criar versões manifestamente incorretas com a finalidade central de inventar um ilícito para ser atribuído a Lula;

2. O juiz Sergio Moro - antes de qualquer apuração dos fatos - prejulgou o assunto tratado no laudo em 29/03/2016, ao encaminhar ofício ao Supremo Tribunal Federal, para instruir a Reclamação 23.457/DF, afirmando, sem qualquer base real, que Fernando Bittar seria “proprietário formal” do sítio. No mesmo documento, Moro assumiu o papel de acusador e por doze vezes atribuiu a prática de crime a Lula, em conduta incompatível com a imparcialidade que deve ser observada pelo julgador, de acordo com a Constituição Federal e as leis internacionais. Essa questão é central na comunicação feita por Lula à ONU na data de ontem (28/07/2016);

3- É reprovável que a mídia faça jornalismo sensacionalista em cima de um laudo policial inconclusivo e elaborado sem observância das provas existentes nos autos. Demonstra - como também  exposto no comunicado à ONU -, sua parcialidade como fonte noticiosa, dando guarida ao prejulgamento já realizado pelo juiz Sérgio Moro em 29/03/2016, para atacar a imagem e a honra de Lula;

O ex-Presidente Lula não praticou qualquer ato ilegal antes, durante ou após o seu mandato e por isso não teme qualquer investigação. Mas, como qualquer cidadão, exige que sejam observadas as garantias previstas na Constituição Federal, bem como aquelas asseguradas em Tratados Internacionais que o Brasil subscreveu e se obrigou a cumprir. E não deixa de causar estranheza que o referido laudo policial - em procedimento conduzido pelo juiz Sergio Moro - tenha vindo a público exatamente no mesmo dia em que os advogados do ex-Presidente protocolaram perante a Comissão de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, uma reclamação por graves violações ao Pacto de Direitos Civis e Políticos, cometidas pelo citado magistrado. Não deixa de configurar ato reprovável de retaliação por parte de agentes do Estado.

Roberto Teixeira e Cristiano Zanin Martins

Onde foi parar o bom jornalismo?

A vida pública brasileira é mediada pela esfera privada da comunicação corporativa. Para o público leitor que ainda é capaz de pagar por uma assinatura de publicações como O Globo, Folha, Estadão, Veja e similares, isso não quer dizer muita coisa.

Este público confia no que é apresentado todos os dias pelos diferentes canais de comunicação. Afinal, se tantos meios veiculam as mesmas versões, por que não acreditar? Seria uma verdade, não fosse a propriedade cruzada onde um pequeno grupo de famílias domina conglomerados que reúnem jornais, revistas, emissoras de rádio e TV. estes últimos, concessões públicas que deveriam ter o compromisso de exibir programas educativos e culturais.

Criar um ambiente adverso ao debate, tornou-se uma especialidade de certos canais. Ao deixar de fora, ou reduzir os espaços para o contraponto, o contraditório e o outro lado da notícia,o entendimento sobre os fatos fica prejudicado. É impossível ter uma ideia geral dos acontecimentos, quando apenas a versão que interessa aos editores do jornal merece destaque.

Não surpreende, portanto, a queda vertiginosa na tiragem dos jornais e na audiência das TVs, cada vez mais um público crítico e sedento de bom jornalismo abandona os velhos meios e mergulha na internet em busca de conteúdo de qualidade.

Ao garimpar estes sites, o leitor ávido por outras visões que não a da mídia hegemônica encontra o que procura . Publicações independentes como o GGN, Diário do Centro do Mundo, Viomundo e Conversa Afiada estão entre as que procuram oferecer conteúdos mais qualificados  para  seus críticos leitores .Quem deseja encontrar novas possibilidades de leitura, tem neste roteiro um bom ponto de partida.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

A doença do Brasil e a passividade dos brasileiros na visão de Sidney Rezende


Em artigo no seu portal SRZD, Sidney Rezende afirma que o Brasil está doente e não fazemos nada. Para confirmar sua tese, o jornalista relaciona uma série de dados, entre os quais se destacam, a existência de 14 milhões de analfabetos absolutos e um pouco mais de 35 milhões de analfabetos funcionais e a perda de R$ 197 bilhões por ano com violência no trânsito com o impacto econômico provodado pela morte de 43 mil pessoas e dos 525 mil casos de invalidez permanente.

Uma contradição se estabelece quando em plena era da informação, estamos a cada dia mais desinformados. Os meios convencionais de comunicação selecionam o que publicam, descartando o que contrariam seus interesses. Nesta leva, brasileiros ignoram a ameaça à riqueza do pré-sal com suas reservas de 170 bilhões de barris. Para se ter uma ideia, desde a fundação até agora, a Petrobras extraiu 16 bilhões de barris. Esta informação o leitor não irá encontrar com facilidade na grande mídia, a sonegação da notícia acontece todos os dias e não nos damos conta que estamos sendo lesados ao nosso direito à informação.

No final do texto, Sidney Rezende indaga sobre as ações de cada um para mudar esta realidade e dispara: o que estamos fazendo concretamente para mudar o nosso país?    



O Brasil está doente e não fazemos nada
Sidney Rezende

Neste mês, estive em Natal, São Paulo, Uberlândia (MG), Catalão (GO) e Teresópolis (RJ). Estarei esta semana em Boa Vista, capital de Roraima, Itaperuna, interior do Rio, e Recife, em Pernambuco. Por onde passo, digo o que penso e tenho consciência que gero, em alguns, desconforto. Mas também percebo o desejo de mudança de rumo por parte da maioria.

No Tribunal de Justiça do Rio, me detive na crítica à burocracia jurídica e comentei que não me parecia ponderado encontrarmos nas instalações do evento para qual fui convidado para palestrar elevadores privativos para juízes, onde um ascensorista ali permanecia em horário integral para fazer apenas três ou quatro viagens. Enquanto a fila para os demais mortais se esparramava além do saguão. E pedi justificativa para a existência de bar e restaurante exclusivos para desembargadores. Eles não gostaram.


Na ABI, Associação Brasileira de Imprensa, falei de empreendedorismo, da perseguição do Império ao Barão de Mauá, genial empresário brasileiro. Frisei a farsa de pensar que ser empreendedor é fácil num país oligárquico como o nosso. E comentei o quanto era importante o desenvolvimento não dependente do Estado. Os meus colegas jornalistas torceram os seus narizes.

Numa gigante empresa pública, eu me opus ao modelo de concursados que podem mais que a própria direção. Era notório a existência de quebra de autoridade. Fui hostilizado. Uma moça escreveu para mim: "seja homem e seja concursado"(?!). A direção, dócil, aceita esta anomalia que confunde com direito adquirido, e, simplesmente, nada administra, e cada centavo do contribuinte vai, bovinamente, para o ralo.

Fui dizer que a mídia não pode disseminar a manipulação como prática natural e fui defenestrado. Para mim, informações "boas" ou "ruins" devem ser dadas, desde que... sejam notícia.

Poderia cansar o leitor com uma lista de outras verdades inconvenientes. Estamos anestesiados, simples assim. Dizemos uns aos outros que não suportamos ver os desmandos, roubos, monopólio, violência, o poder centralizador de poucos sobre muitos. Mas o que temos feito concretamente para mudar esta realidade? Pouco. Muito pouco. Aparentemente, a maioria está contente com o subdesenvolvimento, embora, em palavras, o repudiem.

O ácido escritor, ensaísta, deísta e filósofo iluminista francês François Marie Arouet, mais conhecido como Voltaire, estava amargando seus últimos dias e o seu confessor tentou "salvá-lo" do que imaginava ser "calvário do porvir":

- Por que o senhor não abandona os seus demônios e o diabo?

Voltaire respondeu com humor e pragmatismo:

- Estou prestes a morrer e não é hora de arrumar mais inimigos.

Não pretendo arrumar mais inimigos dos que eu já tenho. Mas nossa letargia está levando o país ao abismo definitivo, pelo menos enquanto nossa geração existir.

Pelos puros e anjos que não nasceram, pensem comigo:

"No Brasil, há aproximadamente 14 milhões de analfabetos absolutos e um pouco mais de 35 milhões de analfabetos funcionais, conforme as estatísticas oficiais". A afirmação do economista da UnB Vicente Vuolo é cruel.

A enciclopédia conta que "analfabetismo funcional é a incapacidade que uma pessoa demonstra ao não compreender texto simples. Tais pessoas, mesmo capacitadas a decodificar minimamente as letras, geralmente frases, sentenças, textos curtos e os números, não desenvolvem habilidade de interpretação de textos e de fazer operações matemáticas. Também é definido como analfabeto funcional o indivíduo maior de quinze anos possuidor de escolaridade inferior a quatro anos letivos".

Um professor de uma turma de meninos e meninas entre 10 e 12 anos de uma escola da Baixada Fluminense me disse que a maioria não sabe ler e muito menos escrever. Uma outra também me contou que, na periferia de São Paulo, onde dirige uma escola, 35% dos alunos são criados pela avó, porque pais e mães seguiram seus caminhos pessoais. E os filhos que geraram não estavam nos seus planos.
É comum crianças apreendidas, confinadas em abrigos - e lá permanecem por um bom tempo - não receberem uma visita sequer. Nem dos jornalistas que vivem exigindo a redução da maioridade penal, mas não frequentam os infernos concernentes aos pobres. Onde está a responsabilidade dos "responsáveis"?

O Brasil perde R$ 197 bilhões por ano com violência no trânsito. Esse é o impacto econômico provocado pela morte de 43 mil pessoas e dos 525 mil casos de invalidez permanente resultantes de colisões e atropelamentos. O cálculo refere-se à interrupção da atividade produtiva como resultado da incapacidade de trabalho. Esses dados fazem parte do estudo Estatísticas da Dor e da Perda do Futuro: novas estimativas, do economista Claudio Contador, diretor do Centro de Pesquisa e Economia do Seguro (CPES), da Escola Nacional de Seguros. E por que dirigimos como ogros?

Os jornalistas Victor Martins, Diego Amorim e Carolina Mansur fizeram uma reportagem que é para sentar na calçada e chorar. "Todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, o equivalente ao Produto Interno Bruto (PIB) da Argentina, é desperdiçado no Brasil. Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem levado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento".

Em quatro anos, o número de processos movidos por erro médico que chegaram ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) cresceu 140%. Em 2014, 626 ações foram encaminhadas à corte sobre o tema. Em primeira instância, o número é muito maior.

No Brasil, quarto maior produtor mundial de alimentos, 50% do estoque se perde na cadeia de distribuição.

Levantamento feito pelo Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ) diz que a automedicação é praticada por 76,4% dos brasileiros. Entre os que adotam essa prática, 32% têm o hábito de aumentar as doses de medicamentos prescritos por médicos com o objetivo de potencializar os efeitos terapêuticos.

Como posso, diante de tudo isso, ficar aqui no meu lugar de braços cruzados? Os caras lá em cima, em Brasília, não estão nem aí para o Brasil real. Eles sequer sabem a realidade do povo brasileiro.

E, você, o que está fazendo concretamente para melhorar o nosso país?

quarta-feira, 1 de junho de 2016

A verdade sobre o Bolsa Família



Na Era da Informação, a primeira vítima é a verdade, preconceitos e notícias infundadas sobre o Bolsa Família, responsável por retirar milhões de pessoas da linha de pobreza, circulam pelas redes sociais, alimentados pelo total desinteresse da chamada grande mídia em divulgar os benefícios alcançados pelo programa.

Nesta terça-feira, diante das notícias de desvios no Bolsa Família,  a página da presidenta Dilma no Facebook, publicou um artigo assinado pela ministra do Desenvolvimento Social Tereza Campello, elencando os resultados do programa e as providências tomadas para sanar as irregularidades encontradas no programa.



A verdade sobre o Bolsa Família
* Tereza Campello


 Os jornais trazem nesta terça (31) informações sobre uma auditoria do Ministério Público Federal no programa Bolsa Família. Mais uma vez, a auditoria parece ter sido feita com bases em premissas erradas e leva a conclusões equivocadas sobre o programa.

Os fatos precisam ser conhecidos.

Desde 2005, o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), responsável pela gestão federal do Bolsa Família, realiza, rotineiramente, o cruzamento do cadastro do programa com outras bases de dados, para identificar inconsistências. O procedimento vem sendo permanentemente aperfeiçoado, incorporando outras bases de dados, novas tecnologias e metodologias mais complexas.

As bases de dados que o Ministério Público Federal diz ter utilizado já foram e vêm sendo objeto de cruzamentos do próprio MDS, de outros ministérios e órgãos de controle, como a Controladoria Geral da União (CGU) e o Tribunal de Contas da União (TCU).

Em relação às “fraudes” identificadas pela referida auditoria, vale destacar:
Os casos de pessoas falecidas são tratados desde 2012 utilizando a base nacional de óbitos, o Sisobi. Mais recentemente, o cruzamento tornou rotina automatizada no sistema de pagamentos de benefícios, operado pela Caixa. Qual o sentido de divulgar agora algo completamente superado há quatro anos? Dar margem para manchetes de que mortos recebem Bolsa Família? Vale ressaltar que a morte de um indivíduo não torna a família inelegível ao programa. Ao contrário, há situações em que o falecimento torna a família ainda mais vulnerável.
Em relação à doação para campanha eleitoral e propriedade de empresas, não existe impedimento legal para que um beneficiário do Bolsa Família realize doações ou seja proprietário de microempresa. Na averiguação feita a partir dos indícios levantados pelo TCU em 2010, os casos identificados não se confirmaram, mas indicaram a existência de outras fraudes: beneficiários sendo usados por terceiros para compra de bens, ou contratados para fazer campanhas para candidatos, registrados incorretamente como doadores de campanha. Ou seja, não era fraude no Bolsa Família, mas crime eleitoral.
No caso de beneficiários sem CPF, é preciso esclarecer que o documento só é obrigatório para os titulares do benefício. Sua ausência não implica recebimento indevido de recursos. Recentemente, o TCU fez avaliação e identificou casos residuais de duplicidade de CPF entre os beneficiários, que já estão sendo tratados por meio da rotina anual de atualização cadastral do Bolsa Família.
Este conjunto de informações mostra que o cruzamento entre bases de dados deve ser feito de forma criteriosa. Até porque os cadastros não têm a mesma qualidade e atualidade de informações, incorrendo em erros de interpretação sobre a situação das famílias.
Por isso, ao avaliar a divulgação da referida auditoria, que usa bases de dados dos anos de 2013 e 2014, é importante lembrar alguns aspectos.
O levantamento resulta em posições simplistas e preconceituosas contra o público do Bolsa Família, revelando desconhecimento sobre os critérios e sobre a legislação do programa. Desconsidera, ainda, o trabalho realizado pelo próprio MDS, TCU e CGU nos últimos anos.
Tais conclusões equivocadas poderiam ser evitadas se, antes da exposição midiática, a equipe técnica responsável pela gestão do programa tivesse sido procurada para discutir os "achados".
O levantamento é frágil. É mais uma tentativa de desconstrução do programa do que uma denúncia de fraude concreta ou linha de aperfeiçoamento dos mecanismos de controle.
Antes de sair do MDS, lancei o processo de atualização cadastral das famílias para 2016, uma espécie de malha fina do Bolsa Família. Esse procedimento foi iniciado em 29 de abril, baseado na Instrução Operacional 79 do MDS. As famílias identificadas passaram a ser convocadas a comparecer às prefeituras para atualizar informações no Cadastro Único.
É preciso reiterar um aspecto importante. O Bolsa Família é um patrimônio nacional. Não pode ser atacado de maneira irresponsável.
É assustador que o governo provisório e o ministro interino do MDS tenham uma reação aos “achados” do Ministério Público Federal sem tentar esclarecer os fatos, sem nem mesmo ouvir os próprios técnicos do ministério.
É um desrespeito a servidores premiados por organismos internacionais, mundo afora, pela gestão correta e exemplar do Bolsa Família que atende a 46 milhões de brasileiros. Esses servidores são um exemplo de dedicação, prestando serviços de qualidade à população.
As informações divulgadas pela imprensa sobre supostas fraudes no Bolsa Família prestam um desserviço ao Brasil, desconhecendo um valoroso trabalho que mantém 13,9 milhões de famílias brasileiras fora da extrema pobreza.

* Ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome do governo Dilma Rousseff

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Vamos falar de hegemonia?

A hegemonia conservadora mostrou o seu poder: Firjan, Fiesp, OAB, grupos privados de comunicação, as instituições públicas do Estado ( Judiciário, Polícia Federal, PGR, Ministério Público.
Uma confluência de interesses nada republicanos construindo a narrativa de um PT corrupto, ladrão e incompetente persuadindo uma classe média generosa, solidária, mas pouco afeita a fazer comparações e distinguir as leitura sobre um país.
Tudo para fortalecer um senso comum e negar o óbvio: o impeachment foi o estratagema utilizado para escamotear o julgamento de uma mulher honesta por uma assembleia de bandidos, chefiada por bandidos.
Em outras palavras, no melhor estilo de uma República das Bananas, o que acontece no Brasil, não é outra coisa, a não ser, um vergonhoso golpe.

Site mentiroso baseado nos EUA espalha boato sobre a saúde de Lula





Pesquisar é sempre a melhor garantia para se manter bem informado. A atualização dos fatos em tempo real desmontou o velho hábito de ler as notícias no jornal do dia seguinte. A informação não está mais confinada ao velho impresso e circula velozmente pelas redes por meio de blogs, sites e redes sociais. Neste caso, é sempre bom desconfiar do que se lê e buscar confirmação em outras fontes.

Há poucos dias, por uma indicação de um amigo, tive a curiosidade de acessar o Pensa Brasil, não conhecia o site mas logo percebi pelo conteúdo, que se tratava de uma publicação conservadora. Como não costumo perder tempo com ideias obsoletas e informações distorcidas, voltei minha atenção para publicações mais úteis. Agora o Instituto Lula alerta para o fato de que este site está sediado nos Estados Unidos e vive de espalhar notícias falsas.

Como vemos, o que não falta é mídia com credibilidade duvidosa, criados muito mais para confundir, do que para explicar. Como distinguir o falso do verdadeiro neste oceano de imprecisões? O melhor a fazer é desconfiar sempre, filtrando as informações, conferindo em outros sites e consultando diferentes opiniões sobre os fatos. 


A seguir, a nota do Instituto Lula contestando a falsa notícia.


NOTA À IMPRENSA
Site mentiroso baseado nos EUA espalha boato sobre a saúde de Lula


São Paulo, 19 de maio de 2016, 

Ontem (18), o site de notícias falsas Pensa Brasil divulgou mais uma de suas mentiras, ao dizer que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria sido internado às pressas em São Paulo.

Com sede nos Estados Unidos, o Pensa Brasil serve ao único propósito de enganar a população brasileira com suas notícias inventadas e tem preferência especial pelo ex-presidente Lula (http://www.institutolula.org/pensa-brasil-mentiras-nas-redes-estao-alem-de-todos-os-limites) . Infelizmente, os boatos são amplamente compartilhados e acabam distorcendo o debate público (http://brasil.elpais.com/brasil/2016/04/17/opinion/1460912901_784452.html)

quarta-feira, 18 de maio de 2016

MANIFESTO CULTURA PELA DEMOCRACIA

Artistas, fazedores de cultura, agentes culturais ocuparam nesta segunda-feira, (16/05), as dependências do Palácio Gustavo Capanema, no Centro do Rio de Janeiro. O manifesto lançado na ocupação, exige a imediata deposição do governo ilegítimo que tenta se instaurar no Brasil. O documento conclama toda a sociedade à resistência e afirma que a luta pela democracia não tem data para terminar.


Exigimos a deposição imediata do governo ilegítimo que tenta se instaurar. Não reconhecemos Michel Temer como presidente do Brasil. Qualquer tipo de negociação com o Palácio do Planalto é uma forma de legitimação do golpe.

Faremos a governança real e simbólica na luta pelos nossos direitos, ocupando - de forma pacífica, mas contundente - o Palácio Gustavo Capanema sede do Ministério da Cultura do Rio de Janeiro. Reafirmamos que o espaço público é o lugar da luta política e que as ocupações são legítimas e necessárias.

Presenciamos neste momento uma tentativa, por parte de um governo golpista, de violentar a democracia brasileira e desestabilizar o país.

O governo ilegítimo assumiu de forma arbitrária, causando um desmonte de setores essenciais do Estado brasileiro como Cultura, Direitos Humanos, Mulheres, Igualdade Racial, Povos Indígenas, Desenvolvimento Agrário, Previdência, Ciência e Tecnologia, além da extinção da Controladoria Geral Da União - CGU.

A extinção do Ministério da Cultura significa e simboliza não só a perda dos direitos dos trabalhadores da Cultura, conquistados em uma longa história de lutas e desafios, mas também a perda dos direitos de cidadania do povo brasileiro, garantidos pela Constituição de 88. E além das perdas do patrimônio material e imaterial da cultura brasileira, essa arbitrariedade representa um retrocesso histórico diante de um legado deixado por agentes culturais, individuais e coletivos, em seus diferentes campos de criação.

No entanto, não se trata somente de garantir a sobrevivência de um setor. Esta ocupação da Cultura pela Democracia no Capanema é, sobretudo, pelo fim do governo ilegítimo de Michel Temer. Não aceitamos negociar com os coronéis do século XXI.
Neste momento, o verdadeiro governo está aqui do lado de fora, nas ruas, nas ocupações.

Não abrimos mão do Estado Democrático de Direito no Brasil.
Conclamamos toda a sociedade à resistência.

A luta pela democracia não tem data para terminar!

#ForaTEMER
#MincÉNosso
#OcupaTudo
#OcupaMinC
#OcupaMinCRJ
#OcupaCapanema
#CulturaPelaDemocracia
#OcupaCultura

domingo, 15 de maio de 2016

Meritocracia no campo das desigualdades




Ver pessoas apoiando a ausência de mulheres e negros no ministério golpista de Temer, com o argumento que competência não tem cor nem gênero, nos dá uma ideia de como pensam setores de classe média. O velho discurso da meritocracia é sempre invocado para criticar políticas de inclusão social, como se todos os indivíduos partissem do mesmo ponto, com as mesmas oportunidades. Em entrevista ao Jornal Zero Hora, em novembro de 2011, o professor Jessé Souza aborda a questão:

"Não existe nada de ruim na apologia do esforço pessoal. Ao contrário, o estímulo à competição sadia é um elemento fundamental de qualquer esforço coletivo bem sucedido. É justo se conceder mais benesses a alguém mais esforçado e dedicado que compete em igualdade de condições com seus rivais. O que é injusto é se imaginar que exista alguma igualdade de pontos de partida entre pessoas de classes muito distintas e, portanto, com privilégios muito distintos desde o nascimento em todos os aspectos da vida, e ainda atribuir a mera reprodução de privilégios socialmente construídos desde o berço, a um suposto talento individual inato. É isso que a ideologia da meritocracia e seus defensores fazem o tempo todo sem se envergonhar nem enrubescer o rosto"