quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Admirável mundo conectado.



Veja, ilustre passageiro, o belo tipo faceiro que o senhor tem a seu lado. E, no entanto, acredite, quase morreu de esquisitice . Salvou-o o smartphone conectado.

A conhecida propaganda do Rum Creosotado nos antigos bondes do século XX,  alertava para os benefícios de um santo remédio em uma época onde tudo costumava passar bem devagar. O tempo acelerou, as necessidades mudaram e a agora nos vemos inquietos diante das mudanças que ocorrem em um ritmo alucinante.

No século XXI, A atenção dedicada aos dispositivos móveis, pode ser observada nas ruas, nos transportes públicos: trens, ônibus  barcas. Por onde se olhe, há sempre alguém magnetizado pelo celular. Objeto do desejo da modernidade líquida, a distração proporcionada por estes aparelhos não deixa ninguém completamente solitário na imensidão urbana em que vivemos.

São estes objetos e seus aplicativos que nos mantém em permanente estado de alerta, fornecendo informações  e opiniões em tempo real que mudam nossa forma de ver e observar o mundo.

Desde a invenção dos tipos móveis que a nossa forma de se relacionar e interpretar a realidade vem se modificando. Ao popularizar o acesso aos conteúdos que antes eram um privilégio de uns poucos afortunados, a prensa de Gutemberg estimulou a necessidade de qualificação para a  leitura, ampliando o leque dos letrados e das pessoas com capacidade de intervenção na esfera pública.

Se o livro e os jornais alargaram os horizontes de seus leitores, a tecnologia do século XXI inseriu multidões nas comunidades informativas, não mais como receptores e consumidores de notícias, nem como meros reagentes das informações publicadas mas como ativos produtores de conteúdos capazes de observar e interpretar o mundo pelas suas próprias angulações.

Seria ingenuidade, no entanto, desprezar o papel das corporações de comunicação na formação de seus públicos, provocando indignações e estimulando reações próximas do conservadorismo transmitido em décadas de doutrinação, não apenas pelos noticiosos exibidos em horário nobre,  mas a partir de programas como séries, novelas, shows e debates.

Nestes últimos, o contraponto, o contraditório, as vozes dissonantes se tornaram uma raridade para dar lugar ao discurso único e à fala monocórdica de especialistas amigos e colunistas amestrados.

Tudo isso agora chega de modo instantâneo pela internet móvel, ao mesmo tempo em que novas formas de organização se constituem estabelecendo outras fontes de produção de conteúdo ainda insuficientes para fazer frente a todo complexo comunicativo das grandes corporações, mas pelo menos capaz de gerar inquietações e compartilhamentos.

Tais inquietações aumentam a exigência de públicos com discernimento crítico que não se deixam seduzir pelas mídias convencionais e pelos partidos conservadores. A demanda por uma nova política mais interativa e com mecanismos de participação  aprimorados deve levar em conta os desejos e as diversidades existentes na sociedade. É urgente encontrar formas que propiciem a troca de experiências, o compartilhamento de inovações e as condições para um permanente diálogo na democracia.

Enquanto isso, a previsão distópica de Black Mirror invade a realidade contemporânea. A sensação é de um choque do futuro se realizando  no presente onde a perplexidade com o ressurgimento do fascismo se confunde com a estranheza luminosidade dos novos tempos digitais.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Cinza é a cor do Brasil

Pelo menos no país governado por Temer e Dória.

Nesta quadra da história onde a democracia é assassinada e ninguém faz nada, balas perdidas matam crianças e pessoas inocentes na certeza da impunidade.

É o lugar da violência retórica que acha que dor se combate com ódio e não percebe que este sentimento só agrava a revolta e aumenta os índices de criminalidade.

 É o país onde poucos ganham muito e muitos se desesperam com o pouco que lhes cabe. Isso, quando recebem, pois centenas de milhares de servidores públicos estão a beira do desespero com salários atrasados e sua dignidade arrancada por governantes irresponsáveis e levianos que contam com a desinformação do público para continuarem iludindo a grande massa de brasileiros que ainda acreditam em políticos conservadores e na realidade editada pela grande mídia corporativa.

Logo, quando um prefeito nega o grafite como arte e pinta a cidade de cinza traduz com perfeição, a metáfora  de um país à procura de sua alma democrática, tragada pelos interesses mesquinhos de forças econômicas que olham com desprezo para a periferia.

Mas se o presente nos oferece o cinza, o futuro nos acena com cores vivas na esperança de um país que se liberte definitivamente do atraso, da ganância e da opressão.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

TRAGÉDIA, DESCASO OU PROJETO DE PAÍS?
























Tenho ouvido muitas coisas sobre os massacres nos presídios. O nível de desumanização, nesses locais, é alarmante. Deveriam ser espaços de ressocialização e de caminhos para a reinserção na sociedade, como nos pede, não só a luta pelos Direitos Humanos, mas, muitos humanistas, como o Papa Francisco.

Nos horroriza as informações recebidas nas trocas de correspondência, entre a governadora de Roraima e o governo golpista do Sr. Michel Temer. Ela pede ajuda federal, explicita e oficialmente; o ministro da Justiça nega, também oficialmente, mas vem a publico dizer, descaradamente, não ter sido acionado.

Os membros do governo ilegítimo não conseguem expressar sequer uma emoção. São frios em suas respostas, tratam o episódio com espantosa indiferença. De vez em quando, aparece um sincericida que diz ter sido bom o massacre, porque bandido bom é bandido morto. Estamos nas mãos de uma gente sem compaixão ... e, eu não consigo conceber qualquer atividade política sem compaixão, sem humanidade, sem respeito à dor alheia.

Mas não quero me dirigir a esses homens “fortes e destemidos” e machistas e cheios de razão do desgoverno.

Quero me dirigir a homens e mulheres sensíveis, que ainda choram, se emocionam e se compadecem das histórias humanas...

Aos que ainda acreditam nas pessoas...

Aos que compreendem que residem nas desigualdades as mazelas da sociedade...

Aos que acreditam no projeto de Jesus de Nazaré de vida plena para todas as pessoas...

Aos que se levantam todos os dias com a destemida obstinação de construir uma sociedade mais justa e igualitária...

Caso não tivesse as oportunidades que teve na vida, você seria o que é, faria o que faz, viveria como vive?

Passei por um homem de minha idade deitado numa praça do centro do Rio e me perguntei: por que ele e não eu?

Por que aqueles quase 100 morreram nas rebeliões e não eu? Muitos dirão: porque eram criminosos e você, não.
Esta resposta não basta.

Quando os privilégios estão à frente dos direitos, condenamos muita gente que poderia ser luz para a sociedade, mas que, ao invés disso,  “torna-se o seu terror”.

Não podemos aceitar que aqueles irmãos nossos, mortos nos presídios, mereciam tal morte. Ninguém merece.

Alguns me dirão: mas são criminosos. E isso nos dá o direito de nos igualarmos a eles na prática do crime?

Aos que reclamam que temos outros problemas, que os aposentados são desrespeitados, que a escola pública não está a contento, que a saúde não atende corretamente as pessoas, digo que temos acordo total. Isso, no entanto, não inviabiliza a nossa luta pelos direitos humanos de todas as pessoas.

As mães e os filhos dos que morreram violentamente nas últimas rebeliões sofrem a dor que não podemos mensurar.

A luta dos direitos humanos vem ao encontro de todo homem e toda mulher e se faz presente na busca da educação de qualidade, da saúde, da previdência e de todos os direitos sociais, humanos.

Existe uma clara intenção de “limpeza social”, de “gentrificação”, de “higienização”, de “perseguição aos pobres”. Com isso, não temos acordo.

Você sabe quantos deles eram pobres, negros e moradores de favelas, desprovidos dos direitos básicos de todo ser humano? Pense uma vez: “por que eles e não eu”.

Reimont ( vereador- Rio de Janeiro).

sábado, 7 de janeiro de 2017

Banda Mantiqueira - Cubango

Para escapar do baixo astral e da onda conservadora que insiste em assolar nossos trópicos, nada como inserir boa música para mudar o ambiente que nos cerca.

Nascida no final dos anos 90, a Banda Mantiqueira iniciou suas apresentações tocando nos bares da capital paulista.

Com um repertório que inclui grandes autores brasileiros, a orquestra não nega a influência de grandes jazzistas como Louis Armstrong, Miles Davis, Charlie Parker, Dizzy Gillespie, Sonny Rollins, John Coltrane, Phil Woods, J.J. Johnson, Elvin Jones, Herbie Hancock, Ron Carter, Mike Stern e também os brasileiros Formiga,Papudinho, Felpudo, Casé, Moacir Santos, Bolão, J.T. Meireles, Raul de Souza, Maciel, Don Salvador, Maestro Branco, Laércio de Freitas, Heraldo do Monte, Edson Machado, e outros tantos.

A diversidade e o talento do grupo pode ser conferido em obras como esta admirável Cubango de Edson José Alves.


segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

O inimigo oculto



O presidente Temer aproveitou que as atenções estavam voltadas para a noite de Natal e resolveu falar à nação. Do alto de seus 77% de rejeição ele teceu loas e boas a respeito de seus 200 e tantos dias de governo. Ninguém deu muita bola, afinal, nem todo mundo ainda se deu conta do futuro surrupiado pela PEC 55 e da condenação perpétua ao trabalho forçado com a reforma  da Previdência. Temer desgoverna no reino dos desatentos e torce para que a plateia permaneça silenciosa e calma.

Pelo desandar da carruagem estagnada, se ele se descuidar, o bloco dos descontentes pode engrossar e não vai esperar o Carnaval passar.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Radialistas suspendem a programação da Rádio Tupi com uma greve de 48h

 A Tupi tem história, legado de  Assis Chateaubriand com mais de 80 anos de serviços prestados no dial carioca.

 Dos programas de auditório, passando pelas radionovelas até chegar ao esporte, tudo era espetáculo quando a imaginação falava mais alto e o ouvinte podia navegar nas ondas sonoras da emissora carioca.

Nestes tempos digitais, o veículo rádio vem se reformulando na tentativa de encontrar um modelo de negócios sustentável . Enquanto isso, os trabalhadores da Tupi lutam para receber seus vencimentos atrasados e o 13º salário que não é pago desde de 2015.

Nesta ciranda perdem todos, os funcionários que lutam por seus direitos e os ouvintes que podem ficar sem a companhia de uma das mais antigas emissoras do Brasil.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Lula processa procurador do powerpoint por danos morais


 É interessante observar como a operação Lava Jato parece uma série televisiva onde membros do judiciário e da Polícia Federal são os protagonistas em um roteiro que joga todos os acusados no mesmo balaio da corrupção. Neste cenário, entrevistas coletivas se transformam em um autêntico espetáculo onde reputações podem ser dizimadas sem direito de defesa. A pergunta que fica é: isto é o papel que se espera de uma justiça em um regime democrático?

Nesta quinta-feira, a defesa do ex-presidente Lula entrou com uma ação de reparação por danos morais no de R$ 1 milhão, em favor de seu cliente e contra o procurador da República Deltan Dallagnol. A ação decorre da realização da coletiva de imprensa do "powwer point", realizada em setembro e transmitida em rede nacional. 


Em nota divulgada à imprensa, os advogados afirmam que “sob o pretexto de informar sobre a apresentação de uma denúncia criminal contra Lula, (o promotor) promoveu injustificáveis ataques à honra, imagem e reputação de nosso cliente, com abuso de autoridade”. A defesa alega que a indenização é cabível independentemente do desfecho da ação penal gerada pela citada denúncia e que, até o momento, os 23 depoimentos das testemunhas selecionadas pelo próprio Ministério Público Federal (MPF) apontam para a inocência de Lula.


“Nenhum cidadão pode receber o tratamento que foi dispensado a Lula pelo procurador da República Dallagnol, muito menos antes que haja um julgamento justo e imparcial. O processo penal não autoriza que autoridades exponham a imagem, a honra e a reputação das pessoas acusadas, muito menos em rede nacional e com termos e adjetivações manifestamente ofensivas”, diz a nota, lembrando que a mesma coletiva já é objeto de pedido de providências perante o Conselho Nacional do Ministério Público, além de ter sido encaminhada ao Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU).



Leia a íntegra da nota: 


A nota à imprensa que acompanhou mais uma denúncia protocolada na data de hoje (15/12) pelo Ministério Público Federal contra o ex-Presidente Luiz Inacio Lula da Silva e sua esposa deixa claro que o ato é fruto de retaliação. Nenhum cidadão pode ser acusado pela prática de crimes de corrupção que jamais praticou sob o pretexto de “abuso do direito de defesa” e “desrespeito ao Poder Judiciário”, ou, ainda, “abuso do poder de legislar” — afirmação esta que em relação a Lula é teratológica pois ele não tem qualquer atuação legislativa. É, claramente, mais um ato que deve ser analisado sob o prisma do abuso de autoridade. Lula jamais abusou do direito de defesa ou faltou com respeito ao Poder Judiciário.

Há uma questão primordial que os acusadores do ex-Presidente não conseguem dar conta e é definidora da perseguição a que ele se vê submetido por tais agentes públicos: como ele pode ser o "comandante" de "uma sofisticada estrutura ilícita de captação de apoio parlamentar" de sustentação ao seu projeto político, se as testemunhas e os delatores oficiais arrolados para comprovar tal envolvimento e malfeitos negam essa sua participação? O mérito da denúncia repete um enredo já superado após a coleta de 23 testemunhas na 13ª. Vara Federal Federal de Curitiba, incluindo os principais delatores da Lava Jato. Mais uma vez parte-se da convicção e não da prova. Não há como acatar, senão como peça de ficção, portanto, a denúncia de hoje.

Mais uma vez atribui-se a Lula um imóvel – situado na Rua Haberbeck Brandão, em São Paulo — com o qual ele não mantém qualquer relação de fato ou de direito. Por outro lado, querem transformar uma relação locatícia privada de um apartamento vizinho àquele que pertence a Lula — como mostra o registro imobiliário — e onde ele mora, em São Bernardo do Campo, na prática de um crime.

O que incomoda a Lava Jato é o fato de Lula e nós, seus advogados, desnudarmos as constantes arbitrariedades e ilegalidades que são escondidas com a ajuda de setores da imprensa que têm interesse de prejudicar a atuação política do ex-Presidente. O Poder Judiciário sempre deve ser respeitado, assim como as demais instituições. Mas se algum de seus membros perdeu a imparcialidade ou não mantém a estética da imparcialidade e quer, a todo custo, permanecer o no caso — por vaidade ou para seguir um roteiro já estabelecido em livros, seriados ou filmes —, é papel da defesa impugnar com altivez e usar de todos os veículos processuais cabíveis. Exercício do direito de defesa não pode ser confundido com abuso, como quer a Lava Jato, e nem ser impedido por elevação de voz por parte das autoridades envolvidas ou por outros meios.

A inclusão do advogado Roberto Teixeira nessa nova denúncia é a prova cabal de que a Lava Jato quer fragilizar a defesa de Lula e de seus familiares após constatar que não possui provas para sustentar as acusações já formuladas e as suspeitas lançadas contra o ex-Presidente. A criminalização da advocacia rompeu a última barreira que separava a Lava Jato do Estado de Exceção.

No caso de Lula há um agir concertado entre Delegados Federais e membros do Ministério Público que claramente não atuam com isenção. Esta última denúncia foi apresentada menos de três dias úteis após a entrega do relatório que concluiu o inquérito policial. E o relatório policial, por seu turno, foi concluído menos de um dia útil após Lula ter apresentado seus esclarecimentos, mostrando que não havia objetivo de apuração, mas apenas de dar continuidade à sequência de acusações e violências jurídicas de que é vítima desde março do corrente ano, dentro de um claro processo de lawfare. O que importa à Lava Jato é abrir inúmeros procedimentos e ações penais a fim de macular a imagem do ex-Presidente e retirá-lo de sua atividade política cotidiana e — evidentemente — criar empecilhos jurídicos artificiais e ilegítimos para que ele não possa participar de futuras eleições.

O que se conclui é que alguns membros do Ministério Público Federal associados com outros agentes públicos que integram a Força Tarefa Lava Jato enterram o Estado Democrático de Direito ao usarem da violência da lei e dos procedimentos jurídicos para perseguir o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O que nos leva a tomar todas as medidas cabíveis para que esses abusos possam ser corrigidos por um órgão judiciário independente e imparcial.

Cristiano Zanin Martins


quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

NÃO HÁ CADEIA SUFICIENTE PARA LULA

JARI DA ROCHA

             






Não há cadeia suficiente para Lula, não há construção erigida que suporte tamanha pena, que dê conta de tanto pecado. Haja grades de ferro e de aço que sejam capazes de segurar, de reter e de trancafiar tanta coisa numa só, tanta gente num só homem. Não há cadeia no mundo que seja capaz de prender a esperança, que seja capaz de calar a voz.
Porque, na cadeia de Lula, não cabe a diversidade cultural
Não cabe, na cadeia de Lula, a fome dos 40 milhões
Que antes não tinham o que comer
Não cabe a transposição do São Francisco
Que vai desaguar no sertão, encharcar a caatinga
Levar água, com quinhentos anos de atraso,
Para o povo do nordeste, o mais sofrido da nação.
Pela primeira vez na história desse país.
Pra colocar Lula na cadeia, terão que colocar também
O sorriso do menino pobre
A dignidade do povo pobre e trabalhador
E a esperança da vida que melhorou.
Ainda vai faltar lugar
Para colocar tanta Universidade
E para as centenas de Escolas Federais
Que o ‘analfabeto’ Lula inventou de inventar
Não cabem na cadeia de Lula
Os estudantes pobres das periferias
Que passaram no Enem
Nem o filho de pedreiro que virou doutor.
Não tem lugar, na cadeia de Lula,
Para os milhões de empregos criados,
(e agora sabotados)
Nem para os programas de inclusão social
Atacados por aqueles que falam em Deus
E jogam pedras na cruz.
Não cabe na cadeia de Lula
O preconceito de quem não gosta de pobre
O racismo de quem não gosta de negro
A estupidez de quem odeia gays
Índios, minorias e os movimentos sociais.
Não pode caber numa cela qualquer
A justiça social, a duras penas, conquistada.
E se mesmo assim quiserem prender
– querer é Poder (judiciário?),
Coloquem junto na cadeia:
A falta d’água de São Paulo,
E a lama de Mariana (da Vale privatizada)
O patrimônio dilapidado.
E o estado desmontado de outrora
Os 300 picaretas do Congresso
E os criadores de boatos
Pela falta de decência
E a desfaçatez de caluniar.
Pra prender o Lula tem que voltar a trancafiar o Brasil.
O complexo de vira-latas também não cabe.
Nem as panelas das sacadas de luxo
O descaso com a vida dos outros
A indiferença e falta de compaixão
A mortalidade infantil
Ou ainda (que ficou lá atrás)
Os cadáveres da fome do Brasil.
Haja delação premiada
Pra prender tanta gente de bem.
Que fura fila e transpassa pela direita
(sim, pela direita)
Do patrão da empregada, que não assina a carteira
Do que reclama do imposto que sonega
Ou que bate o ponto e vai embora.
Como poderá caber Lula na cadeia,
Se pobre não cabe em avião?
Quem só devia comer feijão
Em vez de carne, arroz, requeijão
Muito menos comprar carro,
Geladeira, fogão – Quem diz?
Que não pode andar de cabeça erguida
Depois de séculos de vida sofrida?
O prestígio mundial e o reconhecimento
Teriam que ir junto pra prisão
Afinal, (Ele é o cara!)
Os avanços conquistados não cabem também.
Querem por Lula na cadeia infecta, escura
A mesma que prendeu escravos,
‘Mulheres negras, magras crianças’
E miseráveis homens – fortes e bravos
O povo d’África arrastado
E que hoje faz a riqueza do Brasil.
Lula já foi preso, ele sabe o que é prisão.
Trancafiado nos porões da ditadura
Aquela que matou tanta gente,
Que tirou nossa liberdade
A mesma ditadura que prendeu, torturou.
Quem hoje grita nas ruas
Não gritaria nos anos de chumbo
Na democracia são valentes
Mas cordatos, calados, covardes
Quando o estado mata, bate e deforma.
Luis Inácio já foi preso,
Também Pepe Mujica e Nelson Mandela.
Quem hoje bate palmas, chora e homenageia,
Já foi omisso, saiu de lado e fez que não viu.
Não vão prender Lula de novo
Porque na cadeia não cabe
Podem odiar o operário
O pobre coitado iletrado
Que saiu de Pernambuco
Fugiu da seca e da fome
Pra conquistar o Brasil
E melhorar a vida da gente
Mas não há
Nesse mundão de meu Deus
Uma viva alma que diga
Que alguém tenha feito mais pelo povo
Do que Lula fez no Brasil.
“Não dá pra parar um rio
quando ele corre pro mar.
Não dá pra calar um Brasil,
quando ele quer cantar.”
Lula lá!


Perci Coelho é professor da UNB

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Roteiro para entender o Brasil que escondem de nós

Para entender o Brasil dos dias de hoje, é preciso olhar para as manifestações de 2013. Nesse ano, os protestos  massivos nas ruas das principais cidades brasileiras ocupou a centralidade dos noticiários e provocou uma reflexão sobre o papel da representação política na democracia moderna.

Aumentaram a dose do veneno e a gente nem percebeu.
O objetivo era se aproveitar das justas reivindicações por serviços públicos de qualidade nos municípios para enfraquecer um projeto nacional de mudança do Estado brasileiro. O governo federal não fugiu à responsabilidade, outros poderes fizeram cara de paisagem: a mídia corporativa aproveitou a oportunidade e nacionalizou a agenda de debates. O resultado pode ser visto no ano seguinte com a eleição do mais conservador Congresso Nacional dos últimos tempos.
Este Congresso é responsável por dar corpo ao projeto neoliberal interrompido após as quatro derrotas do PSDB, partido que retorna ao poder, pelas mãos do vice Michel Temer, por meio de um golpe parlamentar e que imprime o ritmo das reformas privatizantes que poupam o rentismo e eliminam os direitos dos trabalhadores e da população mais pobre.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

O orgulho tucano e a derrocada nacional



Certos aspectos da atualidade podem ser diretamente afetados pela forma como são abordados pela mídia e pelo meio político.

Nossas opiniões sobre determinados assuntos levam em conta a informação que recebemos a partir da leitura dos jornais, da audição atenta de programas de rádio e das imagens e fatos veiculados pelas redes de televisão.

A cobertura dos meios de comunicação de massa, nas mãos de grupos corporativos e monopolistas, tem a capacidade de ampliar ou restringir o acesso à informação, bastando para isso, utilizar técnicas de edição para adicionar ou suprimir dados, de acordo com a conveniência da direção da empresa.

O poder da narrativa nas mãos destes grupos é forte o suficiente para mudar a avaliação que se tem sobre determinado tema ou pessoa.

Em 2011, o ex-presidente Lula deixou o governo com mais de 80% de aprovação. Nos últimos anos ele tem sido alvo de uma intensa campanha de desconstrução. No entanto, ele se mantém na liderança de todas as pesquisas que tratam da eleição presidencial de 2018.

 Por outro lado, confiante na blindagem fornecida pelo consórcio mídia, Justiça Federal, MPF e PF, o  príncipe da privataria Fernando Henrique Cardoso aposta no esquecimento de seu pífio governo.

Reconhecido como príncipe da privataria, FHC afirma que hoje é possível dizer com facilidade: "tenho orgulho de ser do PSDB". Um observador mais atento adicionaria "e nenhuma vergonha de ser golpista".

A gestão de Temer, apoiada pelo principado tucano, é tão nociva aos interesses nacionais quanto a de FHC. Em comum, a capacidade de sacrificar o seu povo e  se subordinar aos ditames do poder econômico internacional,

Decididamente, esses políticos levam às favas qualquer escrúpulo no derrespeito à democracia.